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O grupo de pagode Karametade, que fez sucesso nos anos 1990, completa 25 anos em 2020, e o vocalista Wagner Duarte, 46, mais conhecido como Vavá, sonha coroar a data com o retorno da banda. Mesmo sem investidores, ele afirma que deseja fazer shows pelo Brasil e até gravar um DVD, que segundo ele “seria a cereja do bolo.”

Confiante, Vavá está animado com a possibilidade de retornar com o grupo ao lado do irmão gêmeo, Márcio, e Waguinho. “Não que a gente tenha nada definido, não temos nada por enquanto. Se pintar um patrocinador, com certeza vai rolar, mas por nossa conta a gente não tem essa condição”, afirma ao F5. “Na hora que começarem os trabalhos, talvez pinte da gente registrar esses 25 anos.” 

O cantor, que hoje faz shows ao lado do irmão, tem agenda cheia até o final do ano, mas garante que em janeiro de 2020 vai colocar o plano em ação, mas sem pressa e com “muita fé”. “Isso pode acontecer do dia pra noite ou também pode demorar. Mas o nosso interesse não é esse. A nossa pressa é poder levar um trabalho legal para o nosso público”, diz.

Karametade ficou conhecido por sucessos como  “Morango do Nordeste”; “Nunca Vou Deixar Você”; “Decisão” e “Louca Sedução”. Em 2000, Vavá decidiu seguir carreira solo, enquanto o grupo seguiu na estrada por mais cinco anos, até terminar, em 2005. 

“O Karametade foi uma realidade, fez sucesso, quer queira quer não. Muita gente torceu o nariz quando a gente surgiu, mas a gente fez parte e ainda fazemos da música popular brasileira”, afirma Vavá. 

Vavá afirma que, apesar de torcer para o retorno do grupo, não tem medo de cair no esquecimento do público e acrescenta: “Graças a Deus eu estou aqui. É um grande orgulho ouvir ‘minha avó adora você’, de verdade. É um sinal que a minha música perdurou.”

Natural de Santos, litoral paulista, o artista diz que nunca parou de cantar, apesar de estar fora da TV há algum tempo. “A televisão é uma mágica enorme. Se você não está nela, as pessoas acham que você parou de cantar. Eu nunca parei. Eu tenho conta pra pagar, tenho filho pequeno, continuo trabalhando”, diz Vavá, que participou do reality show A Fazenda, da Record, em 2012.

Vavá faz questão de afirmar que a onda de retornos de duplas e grupos musicais, não influenciou em nada a decisão da volta do grupo. “De jeito maneira. De boa, não tem como a gente se comparar com as outras voltas. Apesar de a gente não ter feito coisas grandiosas como Sandy e Junior e Amigos. Karametade não tem DVD, tem 25 anos mais nada registrado.”

Sem capital para investir no DVD dos sonhos, que marcaria o aniversário do Karametade, Vavá não tem em mente a quantia que é necessária para concretizar este desejo. “Isso é muito relativo. Vamos lançar alguma coisa, mas o que seria legal seria gravar pelo menos umas três músicas novas e se pintasse o lance do DVD, essas músicas com certeza estariam.”

A ideia de convidar outros artistas para a gravação é bastante atraente para o artista, que já cita vários nomes: Péricles, Rodriguinho, Alexandre Pires, Netinho. “Pessoas que fizeram parte da nata do pagode dos anos 1990. Seria uma grande festa da música.” 

Com uma formação menor do que a antiga, agora só com três integrantes –no passado eram oito, Marcelo CQ, Sameer, Marcelo Mury, Pepê e Dodô–, o santista diz que o restante dos parceiros, com exceção de Pedro (Pepê), são todos amigos e topariam subir no palco de novo, mas somente para o DVD. 

“A gente tem um grupo no celular, então a gente se fala direto. Menos com o Pedro, perdemos totalmente o contato com ele, até por eventuais coisas que aconteceram no passado, mas eu não guardo mágoas (…) Com certeza se rolar a gravação do show do Karametade, a maioria dos antigos integrantes vão estar presente. É uma palavra que eu dou”, promete Vavá. 

Fãs, ele afirma não faltar na torcida pelo retorno do grupo. “As meninas estão todas casadas e com filhos. Tenho certeza que vai ser muito bacana”, afirma ele. “As pessoas vão poder ir nos shows com os filhos e maridos. Não é que o nosso público envelheceu, ele dobrou, triplicou.”

Sucesso nos anos 1990, o pagode está muito bem repaginado e representado, segundo Vavá, que cita Dilsinho, Mumuzinho e Ferrugem, como grandes responsáveis por dar continuidade no estilo musical.

“Eu sou suspeito, sou fã demais desses caras. Melhor impossível, as músicas deles são ótimas. Exaltam o amor, a igualdade do ser humano, e até a sofrência e o famoso chifre [risos]”, afirma o cantor que vê a temática de traição como um assunto que sempre está em alta.

“Sem desmerecer qualquer ritmo”, Vavá afirma que o pagode foi o pioneiro em falar sobre sofrência, estilo em alta nos dias de hoje, principalmente no meio sertanejo. “As músicas do Raça Negra fizeram isso muito bem.”

Animado e próspero com o futuro do ritmo musical, o cantor afirma estar vivendo um momento muito feliz na carreira, e diz “ser grato demais a todas pessoas que conheceu no meio.”

Fonte: folha