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Ler resumo Joshua Bassett falou sobre sua batalha contra o vício em substâncias durante entrevista ao “Zach Sang Show”. O cantor relembrou momentos difíceis envolvendo saúde, carreira e vida pessoal, além de comentar como lida atualmente com a recuperação e o controle do uso.

Nesta terça-feira (12), o cantor Joshua Bassett participou do “Zach Sang Show” e abriu o coração sobre sua batalha contra o vício em substâncias — especialmente a cetamina — e como chegou perto de tirar a própria vida. O tema surgiu durante a conversa quando o apresentador relembrou trechos do livro “Rookie: My Public, Private, and Secret Life” (em tradução livre, “Minha vida pública, privada e secreta”). Na obra, lançada recentemente, Bassett já havia detalhado sua luta contra a dependência química.

Em 2021, o artista ficou à beira da morte devido a uma insuficiência cardíaca e um choque séptico, com apenas 30% de chances de sobrevivência. No mesmo período, ele também se viu no centro de um intenso escrutínio público após o lançamento de “Drivers License”, hit da ex-namorada Olivia Rodrigo. Foi nesse contexto que, segundo ele, o consumo de drogas saiu do controle: ao invés de “cheirar uma carreira”, ele passou a consumir quantidades cada vez maiores de cetamina — chegando a usar até seis porções por dia. Joshua Bassett afirmou que a insuficiência cardíaca foi causada por estresse. (Foto: Reprodução/Instagram) Durante o papo com Sang, Joshua contou que o isolamento foi um fator determinante para o agravamento do vício. Segundo ele, a cetamina era apenas a “ponta do iceberg”. “Você poderia dizer cetamina, mas é que também falei sobre como era um um ciclo sem fim. Eu usava qualquer coisa para me deixar anestesiado em determinado momento, o que fosse mais eficaz naquele instante para me deixar “bem”, entre aspas”, explicou. Bassett revelou ainda que chegou a sacar o limite máximo do caixa eletrônico diariamente para comprar drogas. “Todos os dias. Chegou a um ponto, e acho que essa é a questão com muitas drogas, que elas podem ser divertidas e prazerosas por um tempo. Mas, sabe, o que acontece é que você se diverte e depois fica com um déficit de dopamina. Então você precisa de um pouco mais. Só que sua tolerância aumenta. Aí, quando você entra no próximo déficit, precisa de ainda mais. E isso rapidamente vira um ciclo”, disse. Ele acrescentou que, no caso da cetamina, o aumento de tolerância pode ser extremamente acelerado, o que facilita a dependência.
O cantor afirmou que usava a substância como uma forma de escapar da própria realidade. “Quando eu usava, eu finalmente sentia, ainda que temporariamente, que podia simplesmente existir. Eu não estava em tormento”, relatou. Apesar de ter atingido o fundo do poço, ele disse que conseguia esconder bem a situação: “Eu era bem bom em esconder. Sou ator, então acho que é meu dom e minha maldição: consigo fingir que estou bem quando não estou. Mas acho que o isolamento foi uma grande parte disso. Muitos dos meus amigos próximos, especialmente em Nova York, não tinham muito contato comigo. Eles sabiam que eu não estava bem, mas eu meio que sumia. Eles viam pequenos sinais. Foram principalmente eles que ficaram preocupados comigo e com razão”. Para Bassett, o vício se alimenta justamente desse afastamento: “O vício prospera no isolamento. E acredito que a conexão é a maior ferramenta para superá-lo. Então era tudo o que eu estava vivendo, somado ao fato de me isolar. E ainda por cima ter mais dinheiro do que eu sabia como usar, isso é a receita perfeita para uma espiral perigosa”. Em um dos momentos mais impactantes da entrevista, o artista desabafou: “É realmente um milagre eu não ter tirado minha própria vida. É um milagre minha vida não ter sido tirada várias vezes, para ser honesto — seja por mim mesmo ou por outras circunstâncias. É um milagre eu estar aqui”. Ao ser questionado se se considera “curado”, ele foi direto: “Não dá para dizer que alguém está ‘curado’, isso seria ingênuo. Mesmo alguém sóbrio há muitos anos não está totalmente curado. É algo que você administra a cada segundo de cada dia. Acho que houve um período em que eu estava tipo: não posso tocar em nada. Não posso beber, não posso fumar maconha, não posso usar nada. E isso foi necessário por um tempo. Mas hoje estou em um lugar um pouco diferente, em que sinto que consigo aproveitar certas coisas sem que elas dominem minha vida”. Continua depois da Publicidade Ainda assim, ele reconhece os riscos e mantém estratégias de controle. “Isso pode ser uma ladeira escorregadia às vezes. Por isso, tenho sistemas de controle com meus melhores amigos. Não me importo em dizer: eu gosto de fumar um cigarro de vez em quando, mas sei que sou cantor. Então fiz um acordo com meu melhor amigo — prometi que só posso fumar dois cigarros por semana. Assim, eu aproveito, valorizo, mas não deixo isso dominar minha vida. Porque, se eu não tivesse esse limite — essa moderação — sairia do controle”, explicou. Por fim, o cantor destacou a importância da rede de apoio e do autoconhecimento no processo de recuperação. “Isso me impede de voltar àquele lugar. Porque, se eu faço uma promessa, não consigo olhar a pessoa nos olhos se quebrar. Tenho uma rede de apoio muito boa, uma comunidade com quem sou aberto e comunicativo. E isso ajuda muito. Acho que, conforme fui ficando mais saudável, passei a depender menos dessas coisas. Mas também sei que isso pode virar uma ladeira escorregadia rapidamente. Tem dias melhores que outros. Às vezes penso: ‘ok, você está bebendo mais do que deveria’. E preciso me controlar. É uma jornada”, concluiu. Assista ao bate-papo completo:

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Fonte: hugogloss.uol.com.br