Ler resumo Cristiano Ronaldo quebrou o silêncio sobre a crise com Jorge Jesus e sua saída da concentração de Portugal. Nesta terça-feira (6), o craque detalhou os bastidores da relação com o treinador, revelou o que motivou sua decisão e falou sobre seu futuro na Seleção.

Cristiano Ronaldo quebrou o silêncio sobre a crise com Jorge Jesus e explicou o que o levou a abandonar a concentração da Seleção de Portugal na última semana. Nesta terça-feira (6), o craque publicou um longo comunicado nas redes sociais, no qual detalhou conversas que manteve com o treinador, apontou duas quebras de confiança e pediu desculpas por ter deixado a equipe. Apesar do atrito, CR7 garantiu que continua disponível para defender Portugal.

Cristiano começou voltando ao período posterior à Copa do Mundo de 2026. Segundo o atacante, ele chegou a preparar uma carta de despedida da Seleção, mas foi convencido pelo presidente da Federação Portuguesa de Futebol a reconsiderar a decisão. O dirigente também teria consultado o camisa 7 sobre a possível contratação de Jorge Jesus, escolha que recebeu seu apoio. “Respondi ao Presidente da Federação que, em minha opinião, seria a escolha certa. Por isso, no dia em que o atual técnico foi apresentado fiquei genuinamente feliz pela escolha”, contou.
Após assumir o comando da equipe, Jorge Jesus procurou Cristiano e apresentou um planejamento para sua participação nos jogos. O técnico teria explicado que pretendia administrar fisicamente o jogador, fazendo mudanças ao longo das partidas, e chegou a sugerir que ele não viajasse para os confrontos contra Noruega e Dinamarca. CR7, porém, recusou a possibilidade por considerar inadequado receber um tratamento diferente dos companheiros. “Esse privilégio de ficar em Portugal não seria um bom exemplo”, explicou. De acordo com ele, JJ concordou com sua posição. Cristiano afirmou que os dois voltaram a conversar na véspera da data Fifa e mantiveram o planejamento estabelecido anteriormente. A situação mudou no dia da partida contra a Noruega. Conforme o português, um auxiliar o procurou durante o almoço para informar que Jorge Jesus queria saber se ele teria condições de atuar por 30 minutos. Embora a participação não estivesse prevista em seu plano de recuperação física, CR7 aceitou e disse ter ouvido do treinador que entraria em campo. Atualmente, Cristiano Ronaldo é o principal nome do All-Nassr. (Foto: Abdullah Ahmed/Getty Images) O atacante, então, iniciou o aquecimento ainda no intervalo, mas permaneceu no banco até o apito final. Para Cristiano, ali aconteceu a primeira quebra de confiança. “Aqueci desde o intervalo, vi os minutos passando e não fui chamado. O técnico me falhou com a sua palavra”, afirmou. CR7 também pediu desculpas por não ter cumprimentado os torcedores após o confronto e assumiu integralmente a responsabilidade pela atitude. Dois dias depois, Cristiano, Jorge Jesus e Simão Coutinho, diretor esportivo do Al-Nassr que havia acompanhado conversas anteriores entre os dois, tiveram uma nova reunião. Segundo o jogador, ficou acertado que o treinador esclareceria publicamente o episódio em sua coletiva de imprensa. Entre os pontos combinados, JJ deveria dizer que havia sido dele a iniciativa de propor a entrada de CR7 contra a Noruega e reconhecer que não deveria ter colocado o atacante para aquecer sem utilizá-lo. Continua depois da Publicidade No entanto, Cristiano disse que encontrou uma postura completamente diferente quando acompanhou as declarações públicas do treinador. “A postura não teve nada a ver com a nossa reunião, ouvi expressões e uma agressividade que julgo não merecer, uma atitude de quero, posso e mando que nunca me manifestou, nem de perto nem de longe, em privado, na véspera”, disparou. O camisa 7 ainda revelou as anotações que, segundo ele, haviam sido previamente validadas para a coletiva. No documento, Jorge Jesus reconheceria que Cristiano nunca questionou suas decisões, teria sido “exemplar, leal e profissional” e que colocá-lo para aquecer sem entrar em campo havia sido um erro. CR7 fez questão de ressaltar que em nenhum momento exigiu um pedido de desculpas público do treinador. Cristiano Ronaldo é uma das estrelas do Al-Nassr. (Foto: Getty) Foi a partir desse episódio que o português decidiu deixar a concentração. “Era a segunda vez que ele estava faltando com a palavra dada. Decidi abandonar a concentração sem esperar por mais nenhuma quebra de palavra. Para mim, a verdade ainda é a coisa mais importante na relação entre as pessoas”, declarou. Cristiano acrescentou que chegou a perguntar diretamente a Jorge Jesus e ao presidente da Federação se ainda o queriam na equipe e ouviu de ambos que seu lugar continuava na Seleção. Apesar das críticas ao treinador, o atleta reconheceu que errou ao abandonar a delegação e pediu desculpas aos companheiros e aos portugueses. O capitão ainda defendeu que seja punido pela Federação sem qualquer tratamento especial por sua trajetória. “Não sou um jogador qualquer, sou capitão de equipe e isso constitui um agravante. Já pedi desculpa, mas sei que as atitudes têm de ter consequências”, escreveu. Continua depois da Publicidade Por fim, Cristiano afastou a possibilidade de que o episódio represente sua despedida definitiva da Seleção. O atacante afirmou que, depois de cumprir uma eventual suspensão e desde que esteja em boas condições físicas e atuando pelo Al-Nassr, continuará à disposição. “Estarei disponível, como sempre estive até hoje, para competir e ganhar pela nossa Seleção. Esta é, acreditem, a mais pura das verdades”, concluiu. A manifestação veio dois dias depois de Jorge Jesus minimizar publicamente o atrito com o jogador. Após a vitória sobre a Noruega, no domingo (4), o treinador afirmou que não existia um problema entre os dois e declarou que Cristiano poderia voltar à equipe quando quisesse. Na ocasião, JJ também disse que continuava precisando do atacante na Seleção. Confira a publicação de CR7:

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Fonte: hugogloss.uol.com.br