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Joelson Veloso, pai de Isabel Veloso, divulgou mensagens trocadas com a filha durante a internação, em Curitiba, e voltou a questionar decisões médicas após o transplante de medula óssea. O caso reacendeu as acusações dele de negligência contra a unidade de saúde.
Joelson Veloso, pai de Isabel Veloso, compartilhou prints de conversas que teve com a filha durante o período em que ela esteve internada, em Curitiba, no Paraná. Ele também voltou a questionar as supostas decisões do Hospital Erasto Gaertner diante do estado de saúde da influenciadora.
As mensagens começaram a ser reveladas nesta segunda-feira (19), e mostraram a trajetória de complicações que a jovem teve após o transplante de medula óssea. Antes de falecer aos 19 anos, Isabel realizou o TMO no dia 24 de outubro do ano passado, com o pai como doador.
No dia seguinte ao transplante, a jovem informou que precisaria permanecer na UTI devido a um quadro de taquicardia. “Essa noite vou precisar ficar na UTI. Avisa minha irmã, amanhã cedo provavelmente eu volto. Pedi para o hospital ligar e avisar vocês. Só essa noite preciso ficar lá, para monitorar, estou com muito taquicardia“, disse ela. Dois dias depois, em 27 de outubro, Isabel relatou ao pai que, caso não conseguisse se alimentar por via oral, seria necessário o uso de sonda. “Meus exames já começaram a cair, plaquetas em 68 mil, hemácias em 10 e imunidade em 1.500“, escreveu. Nas mensagens, Joelson mostrou que a filha já apresentava vermelhidões e manchas na pele, além de uma infecção por bactéria no intestino, por conta dos efeitos colaterais do transplante. Mensagens compartilhadas por Joelson Veloso nas redes sociais. (Foto: Reprodução/Instagram) No dia 29 de outubro, a influenciadora revelou que seus exames apontavam alterações no pulmão, possivelmente causadas pelo acúmulo de líquido. Segundo ele, no mesmo dia, Isabel começou a apresentar sinais de rejeição da medula transplantada. “Olha como estão os machucados dos curativos. Preciso deles até o final, pois vou precisar fazer transfusão de sangue e plaquetas“, avisou ela. “Tive que usar [sonda], minha saturação baixou, foi para 86,84“, contou ao pai, em outra mensagem. Ao compartilhar as conversas, Joelson disse que os médicos “não deram a devida atenção para exames“. Em outra captura de tela, a jovem lamentou que estava “muito difícil”. “O que você ouve dos médicos? ‘É difícil, não tem jeito?’ Mas como não tem jeito? Por que fizeram? Hospital é referência em transplante? Quando os médicos não sabem o que fazer! Negligência“, criticou Joelson. Mensagens compartilhadas por Joelson Veloso nas redes sociais. (Foto: Reprodução/Instagram) Continua depois da Publicidade Acusações de negligência O pai de Isabel já havia acusado o Hospital Erasto Gaertner de suposta negligência. “Houve uma negligência muito grande por parte da hematologia, nós queremos uma resposta. A Isabel tinha vida, lutou bravamente. O que eu mais ouvi foi: não tem jeito“, afirmou Joelson à revista Quem, em 10 de janeiro, dia da morte da influenciadora. Pouco antes da notícia do falecimento, ele desabafou publicamente sobre a situação. No Instagram, Joelson expressou toda a sua preocupação sobre o tratamento recebido pela filha e afirmou sentir “ausência de um acompanhamento mais atento por parte da hematologia, especialmente diante de um quadro tão delicado e instável“. Joelson e Isabel Veloso. (Foto: Reprodução/Instagram) “Como pai da Isabel, venho expressar minha profunda preocupação com a condução do tratamento na UTI do Hospital Erasto Gaertner Curitiba. Apesar de todo esforço da equipe de cuidados intensivos, sentimos ausência de um acompanhamento mais atento por parte da hematologia, especialmente diante de um quadro tão delicado e instável. Isabel precisa de atenção integral e constante. Ela é mais que um caso clínico: é uma jovem cheia de vida, fé e vontade de viver“, escreveu. Continua depois da Publicidade Hospital se pronuncia Em nota enviada à Quem, o hospital revelou que Isabel morreu “em decorrência de complicações relacionadas ao transplante de medula óssea (TMO)”. “A paciente encontrava-se em acompanhamento especializado e, nos últimos dias, apresentou piora clínica significativa associada a complicações inerentes ao procedimento de transplante, condição reconhecidamente complexa e de alto risco, mesmo quando realizada sob rigorosos protocolos assistenciais“, declarou. A instituição também negou qualquer negligência e afirmou que “durante todo o período de internação, a paciente recebeu assistência integral, contínua e humanizada, com atuação multiprofissional e acompanhamento permanente das equipes de Hematologia, Medicina Intensiva, Infectologia, Enfermagem e demais especialidades envolvidas, sendo adotadas todas as medidas terapêuticas indicadas conforme as melhores evidências científicas e protocolos assistenciais vigentes”. “O Hospital Erasto Gaertner reafirma seu compromisso histórico com a excelência no cuidado oncológico, com a segurança do paciente e com a atuação ética, técnica e responsável em procedimentos de alta complexidade, como o transplante de medula óssea“, concluiu.
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Fonte: hugogloss.uol.com.br