Ler resumo Pink se pronunciou nas redes sociais após ser criticada por compartilhar uma publicação contra a apresentação de Macklemore, na turnê de Ed Sheeran. A cantora explicou sua reação e falou sobre suas origens e posicionamentos.

A cantora Pink se envolveu em uma polêmica após compartilhar uma publicação que condenava a apresentação de Macklemore, dedicada ao movimento palestino, durante a turnê de Ed Sheeran. De família judia, ela fez um repost da conta StopAntisemitism no qual criticava a performance do rapper, e gerou uma série de comentários negativos. Nesta sexta-feira (11), a artista explicou por que se posici0nou contra o show do norte-americano.

No último fim de semana Macklemore se apresentou na turnê de Ed e exibiu imagens de guerra nos telões do palco. Além disso, ele se mostrou à favor da Palestina em meio ao intenso conflito entre israelenses e palestinos no Oriente Médio.
Pink, por sua vez, compartilhou uma publicação que condenava a apresentação do rapper e que pedia para que ele fosse retirado da turnê de Sheeran. Como resultado, a cantora se tornou alvo de críticas e xingamentos nas redes sociais, sendo chamada até de “Stupid girl”, ou em português “Garota estúpida”, em referência ao seu hit de 2006. Após ficar em silêncio por uma semana, ela foi ao Instagram e compartilhou um longo texto sobre a polêmica. Pink afirmou que não ficou incomodada com a frase “Palestina livre”, nem o direito de Macklemore de dizê-la, mas sim com o fato de o rapper argumentar que as próprias falas não tinham relações com judeus. “Vocês não têm o direito de decidir isso por nós“, opinou a artista. “Fiquei sem postar nada por uma semana, o que, como vocês sabem, não é típico de mim. Então, aqui estão as minhas palavras. No domingo passado, republiquei o post de outra pessoa sobre a participação do Macklemore no show do Ed Sheeran. O texto dizia coisas que eu não escrevi, e eu não teria escolhido todas elas“, justificou ela. Macklemore se posiciona a favor da Palestina com frequência. (Foto: Reprodução/Zoe Rain) Continua depois da Publicidade A voz de “Try” admitiu ter ficado chateada com a onda de hate na web. “Então vieram os comentários, e eu fiz o que sempre faço quando me sinto magoada: postei memes sarcásticos e fingi que estava tudo bem. A culpa é minha. Um repost não é uma declaração, e um meme não é coragem. As redes sociais tornam todos nós superficiais e precipitados, e todos sabemos disso. Mas prefiro que discordem do que eu realmente disse do que ser odiada pelo que outra pessoa escreveu, então deixe-me dizer isso“, escreveu. Na sequência, Pink falou de suas origens judias e explicou suas declarações sobre Israel. “Nasci judia. Não escolhi isso e nunca escondi. E, nesta semana, um monte de gente decidiu no que eu acredito sem me perguntar, sem checar nada do que eu já disse ou fiz, porque um repost e a palavra ‘judia’ aparentemente foram suficientes para preencher o resto. Mas deixe-me preencher isso… por conta própria. É claro que não falo em nome de Israel, nem de nenhum governo. Nunca falei. O que disse em outubro de 2023 continua sendo exatamente o que acredito: o Hamas é uma organização terrorista“, reforçou. Ela condenou as ações do Hamas e disse ter acompanhado de perto as consequências da guerra. “Os palestinos merecem um futuro que respeite sua humanidade e suas aspirações. Proteger vidas inocentes vem em primeiro lugar, em qualquer lugar, e ninguém jamais deveria comemorar a morte de uma criança. Seja qual for a criança. Passei uma década como embaixadora da UNICEF em prol de crianças que não escolheram o país nem a guerra em que nasceram, e chorei por cada uma delas, dos dois lados da barreira. Não fiz isso atrás de uma tela; fui até essas crianças e as abracei. Não vou discutir uma guerra complexa em uma legenda do Instagram, e não vou repetir o slogan de ninguém para reconquistar um seguidor“, observou. Continua depois da Publicidade Novas críticas a Macklemore Na sequência, a cantora revelou que sua reação à apresentação de Macklemore se deve a atitudes que o rapper teve no passado. “Eis o que me levou a reagir. Eu estava na sala durante o Grammy de 2014 quando Macklemore cantou ‘Same Love’ e trinta e três casais, homossexuais e heterossexuais, se casaram ao som da música, e eu comemorei, sem questionar nada. Quatro meses depois, Macklemore colocou um nariz adunco, uma barba preta e um corte de cabelo redondo, se apresentou assim e chamou aquilo de ‘fantasia aleatória’. Todos os judeus que conheço sabiam exatamente o que aquilo era“, detalhou. “O ‘Same Love’, ao que parece, tinha uma lista de convidados, e nós não estávamos nela. Mas ele pediu desculpas e eu deixei pra lá, porque é assim que a gente age. Nós deixamos pra lá. Então, no último fim de semana, ele se posicionou diante de um estádio cheio de famílias que amam música, com imagens violentas de uma guerra nos telões, dedicou uma música ao movimento de sua escolha e, em seguida, pegou o microfone para dizer a todos os judeus no estádio que aquilo não tinha nada a ver com eles. Você não tem o direito de decidir isso por nós“, disparou. “Foi isso que me levou a compartilhar novamente. Não foi o ‘Palestina Livre’, nem o direito de alguém dizer isso. Nunca pedi que outro artista fosse silenciado e não estou pedindo isso agora. Não preciso que ninguém seja demitido e não preciso de reembolso. O que preciso é poder dizer, como mãe judia, ‘isso me assustou e assustou as pessoas que amo’, sem que me digam que nosso medo é apenas propaganda e sem que me digam que, de alguma forma, eu aceito o genocídio só porque percebi isso“, salientou a cantora. Pink é mãe de dois filhos, frutos de seu casamento com o ex-piloto Carey Hart. (Foto: Getty) Continua depois da Publicidade Pink ainda destacou que sempre se posicionou diante dos conflitos mundiais e outras causas. “E, por favor, não fale comigo como se eu nunca tivesse defendido minhas convicções quando isso era impopular. Em pleno meio da Guerra do Golfo, em 2006, lancei uma música chamada ‘Dear Mr. President’ e a cantei todas as noites em turnê, enquanto meu país estava em uma guerra que eu não apoiava; enfrentei o ódio por causa disso, mas cantei mesmo assim, porque minha crítica contundente era dirigida a um governo, não a este país imperfeito que eu amo e pelo qual meu pai lutou. Eu apoiei os jovens gays antes que isso se tornasse moda e, agora, apoio os jovens trans, mesmo quando isso não está na moda, assim como suas famílias; distribui os livros que foram proibidos, e você sabe que me chamaram de todos os nomes possíveis, mas eu faria tudo isso de novo amanhã. Defendi as pessoas próximas a outras pessoas durante toda a minha carreira e sei exatamente o que isso custa“, listou. “E agora estou defendendo meu próprio povo, e achava que já sabia, antes mesmo de começar, o quanto isso seria solitário. E é ainda mais solitário do que isso. Mas estou fazendo isso mesmo assim. Algo mudou neste país, e consigo perceber isso nos meus próprios comentários. ‘Do rio ao mar’. ‘Sionista’, cuspido como se fosse um insulto, por pessoas que não saberiam explicar em detalhes no que eu acredito, porque eu ainda não tinha contado a elas. Ninguém me perguntou. Me disseram. Não acho que a maioria delas odeie judeus. Acho que alguém lhes contou uma história em que o judeu que se recusa a pedir desculpas por existir deve ser o vilão, e, desde então, elas vêm colocando palavras na minha boca“, defendeu a cantora. Continua depois da Publicidade Segundo a artista, os ataques não são novidade em sua carreira, mas agora ela decidiu não ficar mais em silêncio. “Mas já fui retratada como a vilã antes. Eu aguento isso. Só que não vou aceitar isso calada, e não vou ensinar meus filhos a fazer o mesmo. Então, para aqueles que estão furiosos comigo: vocês não precisam concordar comigo. Nunca concordaram. Esse tem sido nosso acordo tácito há vinte e cinco anos, e ele continua válido, assim como eu. Vocês não precisam concordar com nada do que o governo de Israel faz para não querer que a família judia duas fileiras à frente de vocês fique com medo ou seja alvo de ataques em um show. É a única coisa que peço a qualquer pessoa. Aos que estão com medo nesta semana, sejam judeus, muçulmanos, palestinos, israelenses ou simplesmente cansados de tudo isso: eu vejo vocês. E se alguém quiser saber de verdade o que penso, é só me perguntar. Estou bem aqui. Nunca fui difícil de encontrar. E vou continuar me manifestando, com minhas próprias palavras“, garantiu. Por fim, ela abordou as comemorações judaicas do fim de semana. “É sexta-feira. Para quem trabalha e tem preocupações maiores do que estrelas pop e polêmicas, é o fim de uma semana difícil. É também o 25º aniversário do 11 de setembro, e minhas orações estão com as almas inocentes que perdemos naquela manhã. E ao pôr do sol, para os judeus, é Rosh Hashaná, nosso Ano Novo. Agora vou preparar o jantar para meus filhos, acender as velas, mergulhar algumas maçãs no mel, servir uma taça de vinho e me encher de gratidão. Essa é a minha tradição. E, por acaso, também é uma tradição judaica. Um bom ano“, finalizou Pink. Veja: Continua depois da Publicidade Macklemore se posicionou Diante das críticas, Macklemore também se pronunciou e afirmou que criticar o governo de Israel e defender os palestinos não representa, em sua visão, um ataque ao povo judeu. Ele reiterou que sua mensagem é de paz, dignidade e igualdade. “Para todos os meus irmãos e irmãs judeus: criticar Israel, criticar o apartheid, ser contra o genocídio de forma alguma é uma crítica a vocês. Eu digo Free Palestine“, declarou. Wanting all humans to be treated equal should never be controversial. pic.twitter.com/BOJ9xMoIZn — Macklemore (@macklemore) September 7, 2026

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Fonte: hugogloss.uol.com.br