Ler resumo Segundo reportagem da revista piauí, Virginia Fonseca passou a ser investigada pela Polícia Federal após órgãos públicos e instituições financeiras alertarem sobre movimentações financeiras “atípicas” em contas bancárias. A corporação mira nos principais negócios da influencer.
Virginia Fonseca teria entrado para a lista de investigados da Polícia Federal após Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs), produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), apontarem movimentações atípicas em contas ligadas à influencer e a empresas associadas. As informações foram divulgadas nesta terça-feira (2), em uma reportagem, de João Batista Jr. e Alessandra Medina, da revista piauí.
A investigação tem como objetivo apurar a legalidade das operações financeiras de Virginia e suas empresas, bem como a origem dos recursos movimentados, a eventual prática de crimes financeiros, fiscais e de lavagem de dinheiro. Os documentos foram analisados durante a CPI das Bets, no Senado, no ano passado, e pela própria revista.
Uma das suspeitas, de acordo com a piauí, está na conta da Talismã Digital, a empresa de Virginia e do ex-marido Zé Felipe, que atuava com mídias digitais. Entre março e setembro de 2024, a companhia recebeu R$ 22,4 milhões. Desse total, R$ 21,4 milhões entraram por Pix, e R$ 1 milhão por TED. O principal depositante do dinheiro, a AMP Pay Marketing e Negócios, transferiu R$ 17,7 milhões por meio de cinco remessas via Pix. A instituição Santander levantou suspeitas sobre o montante porque, apesar da transferência, a AMP Pay está registrada na categoria Simples Nacional, o regime tributário ao qual têm direito apenas os negócios que faturam até R$ 4,8 milhões por ano, ou uma média de R$ 400 mil por mês, em média. Além da falta de “capacidade financeira” para movimentar o volume, chamou atenção o fato da empresa estar localizada em um box comercial no Centro de Itajaí, no interior de Santa Catarina. Quase um ano após a CPI das Bets, Virginia é investigada pela PF (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado) Continua depois da Publicidade Outro relatório citou a Wpink Suplementos Nutricionais, da qual Virginia é sócia. Em 18 de março de 2025, o Mercado Pago Instituição de Pagamento comunicou o Coaf sobre operações financeiras realizadas entre 2 de janeiro e 13 de março do mesmo ano. Nesse período, os créditos na conta da Wpink somaram R$ 43,6 milhões, enquanto os débitos chegaram a R$ 43,5 milhões. O RIF considerou que o montante não condiz com o faturamento mensal documentado pela empresa. Por isso, as transações foram enquadradas como “atípicas”. O Banco Itaú também emitiu alertas de movimentações financeiras suspeitas por parte da Savi Cosméticos S.A. – razão social da Wepink -, cujo faturamento anual declarado ao Banco Central é de R$ 75 milhões de reais. No dia 28 de maio de 2024, a instituição financeira reportou um total de 190 transações, realizadas de 21 de novembro de 2023 a 21 de maio de 2024, somando R$ 502 mil. Elas ocorreram a partir de depósitos em caixas eletrônicos de variadas agências bancárias. Como apontado pela investigação, o recebimento em espécie é usual no ramo em que a Wepink atua. Mas, para o sistema financeiro, a maneira fragmentada de receber recursos gera suspeita, uma vez que pode disfarçar a movimentação e o faturamento da empresa, bem como esconder eventual origem ilícita do dinheiro. Continua depois da Publicidade O que dizem as defesas À piauí, o advogado Felipe dos Santos de Paula, que representa Virginia, argumentou que as transações da AMP Pay para a Talismã Digital, que somaram R$ 17,7 milhões, são referentes ao pagamento de um cachê por “campanhas publicitárias devidamente contratadas”. Ele garantiu que “todas as operações foram regularmente declaradas perante os órgãos fiscais competentes, com emissão das respectivas notas fiscais”, mas não sanou as dúvidas sobre a capacidade financeira da AMP Pay. Quanto às suspeitas sobre o faturamento mensal da Wpink, o advogado Dalmo Jacob do Amaral Jr. – que também atende a Wepink Cosméticos – declarou que não houve nenhuma ilegalidade. “A empresa utiliza de forma esporádica o mecanismo de antecipação de recebíveis de cartão de crédito, prática lícita e amplamente adotada no mercado”, explicou. Continua depois da Publicidade Já sobre o alerta emitido pelo Itaú, o advogado justificou: “Os depósitos mencionados correspondem à parte das receitas de vendas realizadas diariamente nos quiosques próprios [da empresa], que possuía 11 unidades em 2023 e 13 unidades em 2024″. Por isso, segundo Amaral Jr., há tantos depósitos fracionados com dinheiro em espécie. Os quiosques de venda dos produtos da Wepink ficam sobretudo em shoppings, espalhados pelo país, em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. Conhecida como o principal negócio de Virginia, a empresa tem Samara Cahanovich Martins e Thiago Stabile como sócios.
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Fonte: hugogloss.uol.com.br