Ler resumo O Sinppenal denunciou supostas regalias concedidas à Deolane Bezerra enquanto ela ficou presa na Penitenciária Feminina de Santana. Em áudios, policiais penais relataram quais teriam sido os privilégios e até mudanças na cela onde a advogada ficou.
O Sindicato dos Policiais Penais do Estado de São Paulo (Sinppenal) denunciou, nesta sexta-feira (22), à Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), supostas regalias concedidas à Deolane Bezerra enquanto ela ficou presa na Penitenciária Feminina de Santana, na zona norte da capital, por 14 horas.
Entre os supostos privilégios, estaria a improvisação de uma cela especial, destinada a detentas que aguardavam consultas médicas, “preparada exclusivamente para receber” Deolane, que ficou sozinha no local. Como é advogada, ela tem direito a “sala especial”. Porém, ao g1, policiais penais informaram que a unidade não dispõe dela, o que obrigaria a investigada a ficar com as demais presas.
A instalação de uma cama de ferro, com colchão, lençol e travesseiro diferentes das camas de concreto, com outros itens para dormir, também foi citada na lista. A denúncia ainda apontou que um chuveiro elétrico foi instalado onde Deolane ficou detida. Pela lei, presas têm direito a tomar banho quente, mas em Santana elas fazem isso em chuveiros coletivos, num espaço chamado “pavilhão habitacional”. A reforma e pintura do local teriam sido feitas como “melhorias estruturais restritas ao alojamento” onde a advogada ficou. Também foram citadas restrição de acesso de policiais penais após servidores alegarem que foram impedidos de entrar na cela, “comprometendo a fiscalização e a segurança institucional”. Deolane chegando à sede da polícia no centro de São Paulo (Foto: Reprodução/TV Globo) Por fim, os agentes penais disseram que um dos diretores recebeu pessoalmente Deolane, o que, segundo eles, configura “tratamento protocolar diferenciado, sem respaldo legal ou regulamentar”. A advogada ficou detida na unidade das 15h20 de quinta-feira (21) até 5h20 de sexta (22), quando foi transferida para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, a cerca de 670 km da cidade de São Paulo. Deolane foi presa em uma na Operação Vérnix, deflagrada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Conforme as apurações, ela teria relação com a movimentação financeira da facção criminosa. Continua depois da Publicidade Policiais relataram supostos privilégios em áudios O portal da Globo também teve acesso a áudios e mensagens com relatos feitos por policiais penais que chegaram ao sindicato, criticando os supostos privilégios da advogada. “Santana é uma vergonha mesmo, mais uma decepção. Agora Deolane, os caras ficaram sabendo que a Deolane ia para lá, o que fizeram? Tem uma cela lá que quando as presas vão para o médico ficam ali naquele corrozinho lá. Mandaram pintar toda a cela, colocar chuveiro quente. Mano, fizeram a reforma só faltou colocar ar condicionado”, narrou um dos agentes. “Arrumaram até uma cama, cama com estrado, tudo bonitinho, vai colocar o colchãozinho. Só faltou estender o tapete vermelho e pegar nas duas mãos e vir como se fosse uma rainha. Cara, é vergonhoso. Nunca vi uma cena dessa. Santana é triste. Chuveiro quente [para Deolane] e colocar enquanto as outras lá tomar banho no chuveiro frio. Ela foi tratada como doutora pelos chefes, cela com ducha quente, lençol, travesseiro, não teve nenhum contato com as presas e tão pouco com guarda”, reclamou o funcionário, em seguida. “Muita mordomia. Deolane comeu comida de policial, não de presa em Santana. Para os guardas, polenta, arroz, feijão, salada de alface e carne de porco cozida. Para a detenta acho que foi carne moída”, completou. Em outro trecho, o agente ainda comparou a advogada com uma outra detenta. “Aí tem uma presa lá com a boca torta, não quer nem dar remédio para a presa. Não quer levar a presa para o médico”, soltou. Continua depois da Publicidade Pedido de apuração Segundo o documento, o sindicato afirmou que Deolane teve tratamento diferenciado incompatível com a Lei de Execução Penal e pediu a abertura de procedimento administrativo disciplinar para apurar os fatos, identificar e punir os responsáveis. “Esse tipo de situação levanta preocupações quanto à legalidade do tratamento dado a uma detenta suspeita de ligação com o crime organizado e, principalmente, com a imagem pública de uma instituição que é indispensável para a segurança pública. Ninguém se beneficia com esse tipo de regalia”, declarou o presidente do Sinppenal, Fábio Jabá, em nota enviada pela assessoria do sindicato. Como apontado pela pasta, os relatos indicam violação do princípio de igualdade no tratamento de presos e podem comprometer tanto a segurança quanto a credibilidade do sistema prisional. A entidade também solicitou o envio do caso à Corregedoria da Polícia Penal e ao Ministério Público (MP). Deolane foi presa em uma na Operação Vérnix, na última quinta (21) (Foto: Van Campos/AgNews) Continua depois da Publicidade Em nota ao g1, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) disse que custodiou a prisão de Deolane “como advogada”, de acordo com a decisão da Justiça. A pasta, no entanto, não respondeu se irá apurar as denúncias feitas pelo Sinppenal. “A Secretaria da Administração Penitenciária informa que a custodiada foi alocada de acordo com a determinação judicial, que reconheceu a existência de registro ativo da reeducanda como advogada. A atuação institucional da SAP limitou-se ao estrito cumprimento do dever legal e das ordens do Poder Judiciário”, declarou.
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Fonte: hugogloss.uol.com.br