fbpx


Ler resumo Anitta falou sobre os bastidores do álbum “EQUILIBRIVM” em entrevista a Hugo Gloss, detalhando o processo criativo, escolhas do projeto e repercussão após o lançamento. A cantora também comentou mudanças na carreira e os planos para a nova fase.

Em abril, Anitta divulgou seu oitavo álbum de estúdio, “EQUILIBRIVM”. O projeto mistura diferentes gêneros musicais, transitando entre ritmos como o samba e o funk, até mantras que refletem a fase mais “zen” da artista. Em conversa com Bruno Rocha, o Hugo Gloss, no sábado (2), a cantora abriu o jogo sobre os bastidores do projeto, detalhando não só o processo criativo, como também o impacto da obra.

Segundo Anitta, ela tinha o desejo de levar os fãs em uma viagem narrativa. “Fazer clipe para todas as músicas ia ser muito caro, então a gente veio com uma ideia de fazer alguns vídeos para ajudar a contar essa história, mas tem uns que são mais complexos, tipo ‘Desgraça’, que tem muitos elementos, é bem encorpado, é um clipe mesmo. Porque, claro, quando a gente vai lançar um álbum, não dá para saber qual que o público vai amar mais, aí a gente tem que ir ali com qual a gente acha que conceitualmente vai ser mais legal contar a história com um clipão, e aí escolhemos ‘Desgraça’ por começar o álbum”, explicou. Apesar de já estar disponível nas plataformas digitais, o título da faixa “Desgraça” causou estranheza em parte do público. “Todo mundo odeia essa palavra, Desgraça, hoje em dia”, pontuou. A reação fez a artista cogitar uma possível mudança no nome, mesmo após o lançamento: “Eu tô vendo de trocar o nome, porque, assim, na verdade, eu chamei a música de ‘Desgraça’, porque quando você vê todas as músicas, você vai fazendo um caminho de limpeza da energia. Então começa numa ‘desgraça’ e você acaba no ouro, você vai fazendo esse caminho dessa iluminação, do início até o final. Aí eu pensei, na época, quando eu estava fazendo, falei, vai ficar muito legal a ordem das músicas quando a pessoa for vendo, começou uma ‘Desgraça’, aí vai e faz uma ‘Mandinga’, aí tem o caminho do caminhador, só que a galera não gosta do nome!”.   “Não sabia que a galera tinha uma coisa assim com a palavra”, admitiu. Para Anitta, o significado das palavras está na intenção de quem as diz: “Às vezes você pode estar falando palavras lindas, mas numa energia de falsidade, uma energia péssima… Pra mim, você vai estar atraindo mais coisas ruins do que se você falar uma palavra ruim, mas no deboche do que na brincadeira”.
Ainda segundo a artista, não foi apenas o título da faixa que provocou reações. O conceito do álbum, que mistura música com crenças espirituais, também movimentou intensamente as redes sociais. Anitta diz que, logo após a divulgação do projeto — que inclui faixas como “Deus Existe”, “Mandinga” e “Meia Noite” — houve uma queda significativa no número de seguidores. “Logo quando eu lancei o álbum, na verdade, quando eu fui para o ‘Domingão do Hulk’ e cantei ‘Meia Noite’, eu perdi, naquela semana do lançamento, uns 100 mil seguidores. E eu já tinha perdido muitos seguidores quando eu fiz o clipe de ‘Aceita’, que tinha religião também. Aí eu peguei e falei: ‘nossa, caraca, perdi vários seguidores’. Mas também não estava ligando muito”, lembrou.   A onda de unfollows, no entanto, foi seguida por um movimento positivo: “Quando lancei o álbum, deu uma semana, eu ganhei o dobro [de seguidores] de volta. (…) A recepção está o máximo, todo mundo falando muito bem. Pessoas que nunca tinham escutado o meu trabalho. Por mais que soubessem quem eu sou, e admirassem meu posicionamento em algumas coisas, não tinham parado para escutar um álbum meu. E escutam esse, falam muito bem. Então, está uma recepção 100% positiva”. Continua depois da Publicidade Collabs Com 15 faixas, “EQUILIBRIVM” reúne diversas participações, como Marina Sena, Liniker, Os Garotin e até a colombiana Shakira. Segundo Anitta, os feats. aconteceram de forma natural ao longo do processo. “Eu ia escutando e aí foi me dando vontade de chamar uma pessoa, chamar outra pessoa. Algumas, por exemplo, como a Melly e a KING Saints, elas são compositoras. Aí estavam lá escrevendo e eu falei: ‘gente, vocês são muito incríveis. Entrem no álbum também’. Então foram acontecendo. Quando eu vi, Os Garotin também estavam lá compondo. Eles estavam ajudando a compor ‘Caminhador’… Quando eu vi, já tinha tanto feat, que era quase o álbum inteiro de feat.! (…) Mas eu nem pensei nisso, entendeu? Foi uma coisa que aconteceu. E depois que eu vi, falei, caraca, tem muito feat. Mas tudo certo”, contou. Mesmo com a boa recepção, a artista revelou que não pretendia lançar um álbum neste momento da carreira. “Eu não queria fazer, eu estava desiludidíssima [sic]. Por mim, eu ia continuar de férias, fazendo nada, passeando, viajando. Mas eu conheci a Nidia Aranha, que é a diretora criativa, que fez toda a direção criativa junto comigo da parte musical, e a gente sentava junto, fazia muita reunião para conversar”, admitiu. Foi após aceitar um convite do Global Citizen, ao lado de Nidia, que o conceito do projeto começou a tomar forma. “Eu estava naquela vibe de: ‘ah, eu quero só viver e aproveitar a vida, não quero trabalhar’. Então eu chamei ela para dirigir o show. Falei: ‘ó, arrasa, faz o show, só me chama para chegar lá e cantar’. E foi isso que aconteceu. E ela fez maravilhosamente bem, eu amei. E aí, no meio do processo, ela falou: ‘Mas eu gostei tanto de trabalhar com você, não era nada do que eu imaginava, foi tão tranquilo, foi tão ótimo. Por que você não faz um álbum?’ Eu falei: ‘Estou ótima aqui’”, relembrou. Anitta chegou a mostrar algumas faixas para a diretora, como “Pinterest”, “Vai Dar Caô” e “Choka Choka”. Após insistência de Nídia, decidiu seguir com o projeto. “Ela que me deu esse ânimo, essa injeção. Aí o pessoal foi lá para casa e a gente completou com ‘Mandinga’, ‘Desgraça’, ‘Deus Existe’, ‘Ternura’, ‘Caso de Amor’, ‘Meia Noite’. (…) A gente começou a se reunir e, na verdade, as músicas que eu estava fazendo já não eram mais músicas tão do jeito que eu fazia antes, já eram outro estilo musical. E aí a gente sentou juntas e foi amarrando. Ela: ‘e aí, o que você gostaria de falar?’ Eu falei: ‘querida, por mim eu metia um mantra no meu álbum. Por mim, eu falava da minha macumba, das minhas coisas que eu gosto’. Aí ela: ‘então vamos fazer’. E eu adorei, adorei fazer”, revelou. Continua depois da Publicidade Turnê Anitta também pretende inovar nos palcos. Questionada sobre levar “EQUILIBRIVM” para a estrada, ela adiantou que a proposta é investir em shows menores e mais imersivos, sem necessariamente misturar o novo trabalho com os antigos. “Quem for pra turnê do ‘Equilibrium’ vai ver a nova era. (…) Posso até misturar uma música ou outra que tenham a ver com o contexto de hoje em dia. Tipo, ‘Ritmo Perfeito’ tem tudo a ver, ‘Zen’ tem tudo a ver… mas o tipo de música tem a ver. Vai ser uma turnê totalmente diferente”, declarou. A cantora prometeu ainda momentos que prometem comover o público: “Vai ter uma surpresa, um momento emocionante que todo mundo vai chorar. Nesse show, todo mundo vai chorar. (…) Vai ter momento emocionante, vai ter de tudo e vai ser mais para o meio do ano”. A ideia é apostar em espaços mais intimistas: “A gente está tentando fazer lugares menores do que os ‘ensaios’, porque eu quero brincar muito com a luz, com a cena mesmo. O palco vai ser importante, como as pessoas vão ver, de onde elas vão ver, a acústica é importante. Eu quero fazer um show com início, meio e fim, com todos os visuais e coisas, roupas e luzes. Então, não é tão simples fazer um show assim. Você precisa de um lugar que tenha essa estrutura bacana para você fazer isso e é difícil, porque o Brasil tem pouca arena”. “Você fica preso em estádio de futebol. Casa de show também já é muito pequeno. A gente está meio que estudando isso, porque tinha que ter um tamanho ideal ali, que eu também não quero um estádio, porque a gente fez os ‘ensaios’ no estádio. (…) Mas esse show, o que eu vou montar para o palco, para a luz, para o cenário… Não sei se eu quero com uma pessoa lá no Japão, lá no outro canto do mundo, longe, ver de não sei onde. Eu queria que estivesse um pouquinho mais perto, para você ver um pouquinho melhor o que está acontecendo”, explicou. Continua depois da Publicidade Ela acrescenta que seu maior desejo é reduzir a exposição do espetáculo nas redes sociais, já que as gravações não traduzem fielmente a experiência ao vivo. “Eu sou meio chata com isso do show, eu gosto que a pessoa veja a experiência. Esse negócio de internet também, eu queria proibir telefone no show do ‘EQUILIBRIVM’, porque é muito chato isso. Mas para proibir telefone é muito caro, tem que botar locker no evento e botar locker para vinte mil pessoas é mais caro do que fazer o show, aí fica difícil! (…) Tem a energia do lugar, que fica muito melhor sem telefone”, disse. “Imagina eu fazer o meu show, minha turnê toda pensada, aí você pensa, tipo assim: ‘Vou começar com tal música, que aí tem essa vibração aqui. Daqui a pouco desce a vibração, daqui a pouco sobe um pouco’. (…) Você está lá no TikTok, vendo cortes do show, e vai passando. Aí tem uma música para cima, e o seu cérebro recebe aquilo de uma maneira alegre. Depois vem uma música mais triste, e o seu cérebro já recebe de outra forma, o seu corpo já é estimulado de outro jeito. Aí outra música alegre, outra música triste. E são diferentes perspectivas também, depende de onde a pessoa estava para gravar”, analisou. Ela acrescentou: “E aí você está vendo aqueles cortes numa ordem totalmente nada a ver, sendo que ali, pessoalmente, tem uma ordem. E quando todo mundo está numa vibração, cantando tal música, o lugar tem uma vibe diferente. Aí vai crescendo… você vai crescendo a sua emoção de ver aquilo. Quando vai para uma música mais para baixo, todo mundo entra naquela energia. O show é para ser sentido. Não dá para você dar uma opinião sobre um show que você viu em cortes no TikTok, gente!”. Anitta lançou o álbum “EQUILIBRIVM” em abril. (Foto: Jhuan Martins) Saturday Night Live Em abril, Anitta fez história ao se tornar a primeira artista brasileira a se apresentar no programa americano Saturday Night Live. Na ocasião, ela cantou “Choka Choka” e uma versão em espanhol de “Várias Quejas” (do Olodum), recebendo elogios da crítica internacional. Continua depois da Publicidade O convite, segundo a cantora, veio após anos de tentativa: “A minha equipe tentava isso, muitos anos atrás, e aí dessa vez eles falaram [que sim]”, disse. “A gente já pedia há muitos anos, porque é assim, é como no Brasil, como em qualquer lugar, você vai tentando. (…) E aí, do nada, responderam falando: ‘Ai, mara’”. A recepção da equipe do programa surpreendeu positivamente: “Tem um filme que chama [‘Saturday Night – A Noite Que Mudou a Comédia’], que fala sobre a primeira noite do SNL, é mara esse filme. E é o mesmo cara [Lorne Michaels, criador e produtor do programa] que fez, na época, é o mesmo cara até hoje. Eu falei com ele, ele falou: ‘nossa, olha, aquela segunda música que foi ‘Várias Quejas’, eu não entendo nada que você falou, mas que lindo. E a outra música com a Shakira, que musicão!’. Eles estavam todos cantando, amando, então foi muito legal”. Búzios Durante a entrevista, Anitta também comentou os bastidores da gravação do clipe “Desgraça”, que inclui uma cena com queda de búzios. Curiosa com o significado, ela decidiu investigar o resultado após a gravação. “No dia foi engraçado, porque no clipe eu falei assim: ‘Cara, depois a gente tem que olhar qual foi essa queda aí’. Porque imagina se a gente põe no clipe uma queda ruim? Tem que ser uma queda boa. Aí pedi pro meu pai de santo olhar. Mandei a foto e falei: ‘Qual foi a queda que caiu aqui?’. Porque na hora do clipe eu estou gravando. Era um plano que eu entrava, sentava e falava: ‘se tu vai, não vou não’, eu batia assim e falava com a mulher, com a atriz que estava reproduzindo a mãe de santo. Então, não dava para a gente virar o búzio. Era uma sequência. O que caiu, caiu”, contou. O resultado, no entanto, surpreendeu: “Mandei a foto pra ele e falei: ‘vê aí o que é que caiu?’. E caiu Obará, que é um Odu que — na nossa religião tem os Odus, são os caminhos que você vai encontrando. E Obará é um Odu que traz muita abundância, traz essa coisa do sucesso e do dinheiro, mas também traz muito disse-me-disse, muita controvérsia… Aí é você vê se essa energia está no positivo ou no negativo e vai trabalhando isso. Então caiu um Obará e é justamente o meu caminho. Aí eu: ‘Caramba, tamo alinhado!’”. Assista ao bate-papo completo abaixo:

Siga a Hugo Gloss no Google News e acompanhe nossos destaques

Fonte: hugogloss.uol.com.br