Ler resumo Thais Carla celebrou vitória na Justiça contra Nikolas Ferreira após decisão por danos morais. O caso repercutiu nas redes. Entenda o que motivou o processo e os desdobramentos da sentença.
Thais Carla se manifestou após vencer o processo contra o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Em um vídeo nesta quarta-feira (1º), a influenciadora comemorou a decisão da Justiça, agradeceu o apoio dos fãs e fez um alerta importante para a sociedade.
Nas redes, Thais destacou o significado da vitória judicial. “Do fundo do meu coração, o quanto eu estou feliz, porque a gente venceu e venceu bonito. Eu processei um deputado federal, uma pessoa pública famosa, depois dele destilar ódio e gordofobia contra mim. Não foi uma brincadeira, não foi uma opinião, foi gordofobia. Agora tem uma decisão judicial reconhecendo exatamente isso: foi violência”, declarou.
A sentença foi proferida nesta segunda-feira (30) pelo juiz Fabio Pando de Matos, da 1ª Vara do Juizado Especial Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo. O parlamentar foi condenado ao pagamento de R$ 12 mil por danos morais e também ficou proibido de fazer publicações ofensivas relacionadas à influenciadora, sob pena de multa em caso de descumprimento. Ao detalhar os desdobramentos da decisão, Thais reforçou: “Tem consequência”. Durante o vídeo, ela também leu trechos da decisão e destacou: “A liberdade de expressão não é um passe livre pro seu preconceito, e nem pra sua violência”. Continua depois da Publicidade Por fim, a influenciadora afirmou que a decisão representa um avanço para outras pessoas que enfrentam situações semelhantes. “Essa vitória não é só minha, essa vitória é sobre todas as pessoas gordas que sofrem com ataques todos os dias. A gente não vai mais permitir ser alvo de piadas ou desumanização sobre os corpos gordos. Gordofobia é violência, e essa violência gera responsabilização. Seguimos aqui cada vez mais fortes e não vamos recuar”, concluiu. Assista: Thais Carla comemora vitória sobre Nikolas Ferreira pic.twitter.com/kCo5uO8zjf — WWLBD ✌🏻 (@whatwouldlbdo) April 2, 2026 O processo O caso aconteceu em 2023 após uma postagem feita nas redes sociais. Na época, o parlamentar compartilhou uma imagem de Thais caracterizada como Globeleza e escreveu: “Tiraram a beleza e ficou só o Globo”. Diante da repercussão negativa, Ferreira respondeu às críticas dizendo que expressou apenas sua “opinião” e fez ataques ao que classificou como “militância”. Em outra publicação, ele apareceu em uma montagem com o próprio rosto em um corpo gordo. “Pronto, agora tenho lugar de fala”, escreveu ele na legenda. Continua depois da Publicidade Equipe jurídica de Thais Carla comemorou a vitória na Justiça. (Foto: Reprodução/Instagram) Na decisão, o juiz Fabio Pando de Matos destacou que a liberdade de expressão não pode ser usada como justificativa para ataques do tipo. “A imagem […] é um bem jurídico personalíssimo de altíssima envergadura. A doutrina contemporânea destaca, ademais, o reconhecimento de novas facetas da responsabilidade civil no enfrentamento de discriminações estéticas e corporais, nas quais o estigma da ‘gordofobia’ se insere como forma de assédio moral e violência simbólica, impondo exclusão e sofrimento psicológico”, escreveu. Continua depois da Publicidade O magistrado também avaliou que a postagem não teve caráter de debate, mas sim de ofensa direta: “O requerido [Nikolas] apropriou-se da imagem produzida e publicada pela requerente para inseri-la em seu próprio perfil em rede social, atrelando-lhe um comentário de escárnio voltado especificamente à sua compleição física (“Tiraram a beleza e ficou só o Globo”). O escrutínio detido da manifestação revela que não houve a proposição de um debate científico ou sociológico sobre a obesidade, mas sim o proferimento de uma zombaria estética ancorada em preconceitos estruturais que associam corpos gordos à ausência de valor estético ou moral”. Nikolas Ferreira terá de pagar R$ 12 mil por danos morais. (Foto: Kayo Magalhães/ Câmara dos Deputados) Matos acrescentou: “A publicidade da postagem originária não confere a terceiros a prerrogativa de sequestrar a imagem com finalidade achincalhatória, desvirtuando o contexto afirmativo original para convertê-lo em instrumento de humilhação perante uma vasta audiência”. Sobre a montagem publicada pelo deputado, o juiz entendeu que houve reforço da conduta ofensiva. “A conduta subsequente do requerido […] ratifica e explicita o tom de menosprezo adotado, esvaziando por completo a tese de ausência de intenção ofensiva. Trata-se de comportamento que deliberadamente atrai [engajamento] mediante o sacrifício da dignidade alheia, extrapolando de maneira patente os lindes do regular exercício da liberdade de expressão”, salientou. Continua depois da Publicidade A decisão foi celebrada pela defesa da influenciadora. Segundo o advogado Ives Bittencourt, a decisão é um “verdadeiro marco jurídico e social”. “Como advogado humanista e antidiscriminatório, que atua diretamente na defesa das pessoas gordas, afirmo que esta decisão representa um verdadeiro marco jurídico e social no Brasil. Trata-se de um avanço que reafirma, de forma inequívoca, que não há mais espaço para a gordofobia e o gordoódio em qualquer ambiente, seja ele público ou privado”, concluiu.
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Fonte: hugogloss.uol.com.br