Ler resumo Wagner Moura afirmou ao The New York Times que recusou papéis lucrativos em Hollywood por não aceitar estereótipos sobre atores latinos. A declaração foi dada durante a divulgação de “O Agente Secreto”, filme brasileiro que vem ganhando destaque internacional.
Wagner Moura revelou recentemente ao The New York Times que recusou projetos altamente lucrativos em Hollywood por se recusar a reforçar estereótipos sobre atores latinos. Segundo ele, a decisão sempre esteve ligada a valores pessoais e a uma postura de enfrentamento às expectativas da indústria.
A entrevista foi publicada em meio à repercussão de “O Agente Secreto”, novo drama brasileiro ambientado em 197. “Estou quase com 50 anos, então f*da-se”, resumiu, ao explicar por que nunca aceitou papéis apenas por dinheiro ou visibilidade.
Esse espírito, segundo o ator, se manifestou sempre que Hollywood tentou enquadrá-lo. “Eles diziam: ‘Você é um ator brasileiro, deveria estar feliz com essa proposta’. E havia uma parte de mim que sentia prazer em dizer: ‘Não vou fazer isso’”, lembrou. A recusa sistemática frustrou agentes e afastou Wagner do caminho mais previsível da indústria, mas também abriu espaço para escolhas autorais. Agora, “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho, já rendeu a Wagner prêmios de melhor ator no Festival de Cannes e no New York Film Critics Circle, além de uma indicação ao Globo de Ouro. Analistas internacionais apontam o brasileiro como forte candidato a conquistar sua primeira indicação ao Oscar, mesmo concorrendo com nomes como Leonardo DiCaprio, Timothée Chalamet e Michael B. Jordan. Continua depois da Publicidade No filme, Moura interpreta Armando, um viúvo perseguido durante a ditadura militar brasileira que assume uma nova identidade enquanto tenta deixar o país. Para o ator, a conexão com o personagem vai além da ficção. “Politicamente, eu nunca deixei de dizer o que achava certo, mesmo pagando o preço”, afirmou. Wagner moura e “O Agente Secreto” são as grandes apostas do Brasil na temporada de premiações de 2026. (Foto: Divulgação) A postura crítica rendeu ataques, sobretudo durante o governo de Jair Bolsonaro, quando Moura se posicionou abertamente contra a extrema direita. A hostilidade se intensificou após sua estreia como diretor em “Marighella”, cujo lançamento no Brasil foi atrasado por quase dois anos. “O que a extrema direita teme não é o que a gente diz, é o que a gente faz. Se eu passasse o dia inteiro chamando ele de fascista nas redes, não incomodaria tanto quanto o filme que eu fiz”, afirmou. Continua depois da Publicidade Kleber Mendonça Filho, que escreveu “O Agente Secreto” já pensando em Wagner, resumiu a força do ator: “O carisma dele vem da constância”. O próprio Wagner atribui essa firmeza à criação que teve. “Meu pai não era politicamente ativo, mas havia uma questão de valores, de como você deve se comportar como pessoa. Não quero me vender como bússola moral, mas me mantenho fiel a quem eu sou”, disse. O ator se mantém firme em seus princípios. (Foto: Victor Jucá/Vitrine Filmes) Mesmo morando há anos em Los Angeles com a companheira, a fotógrafa Sandra Delgado, e os três filhos, Moura mantém uma relação intensa com o Brasil. Ele celebrou o sucesso do filme no país — “vendemos um milhão de ingressos” — e afirmou ver no cinema uma ferramenta essencial para lidar com o passado. “Este é um filme sobre um país que tem um problema com a memória. Bolsonaro nunca teria sido possível sem essa lei”, apontou, ao citar a anistia que livrou torturadores da ditadura de punição. Mesmo com o reconhecimento internacional, Moura garante que não pretende mudar sua forma de atuar, nem de escolher projetos. “Nunca fiz nada por dinheiro ou porque é uma grande coisa de Hollywood”, afirmou. “Eu quero disputar os mesmos personagens que os atores brancos americanos da minha idade disputam”, acrescentou. Continua depois da Publicidade Se essas oportunidades não surgirem, ele pretende criá-las. Ainda este ano, o ator vai dirigir seu primeiro longa em língua inglesa, “Last Night at the Lobster”, descrito por ele como “um filme de Natal anticapitalista”. E, se o sucesso continuar, Wagner espera que venha pelo motivo certo. “Sucesso é quando você faz o que sempre fez, mas as pessoas de repente começam a prestar atenção”, concluiu.
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Fonte: hugogloss.uol.com.br