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Após anos no ar, “Stranger Things” chegou ao fim com um desfecho que dividiu fãs. Em entrevista à Netflix, os irmãos Duffer explicaram a decisão por um final ambíguo para Eleven, personagem central da série, após a batalha contra Vecna no último episódio.

[ATENÇÃO: O texto abaixo contém spoilers da 5ª e última temporada de “Stranger Things”. Leia por sua conta e risco!]

O portal finalmente foi fechado. Depois de anos enfrentando monstros e desafios no Mundo Invertido, “Stranger Things” chegou ao fim. No entanto, o desfecho de uma personagem específica tem provocado debates entre os fãs: Eleven. Em entrevista publicada nesta quinta-feira (1º) pela Netflix, os criadores da série, Matt e Ross Duffer, comentaram a escolha por um final ambíguo para a jovem. No último episódio, Eleven assume um papel decisivo na batalha contra Vecna e o Mundo Invertido. Após a derrota do vilão, ela toma uma decisão extrema e permanece na dimensão paralela quando o local começa a colapsar. A cena sugere a morte da personagem de Millie Bobby Brown.
Porém, o desfecho deixa espaço para interpretação. Em um epílogo ambientado 18 meses depois, Mike (Finn Wolfhard) compartilha uma teoria esperançosa: ele acredita que Kali (a irmã de Eleven, que havia sido vista lutando ao lado dela) na verdade ajudou Eleven a escapar do Mundo Invertido usando suas habilidades de ilusão e projeção psíquica. Essa ideia dá margem para a jovem ter fugido do exército e agora viver em paz em outro lugar, longe de Hawkins e do perigo, enquanto todos acreditam que ela morreu. Final de Eleven causou discussões entre os fãs da série. (Foto: Reprodução/Netflix) Na conversa, os irmãos Duffer explicaram inicialmente a importância da cena em que Hopper (David Harbour) faz um discurso emocionante, pedindo que Eleven prometa lutar para sobreviver, e também do monólogo em que a jovem pede que ele confie que ela fará a escolha certa para si mesma. “O discurso do Hopper, de certa forma, foi a maneira que encontramos de expressar o que nós e muitos dos roteiristas sentíamos ao discutir a trajetória da Eleven. Ela passou por tanta coisa ao longo dos anos, e queríamos que alguém comunicasse isso a ela enquanto tenta decidir que tipo de vida — se é que alguma — existiria no fim de tudo, caso eles consigam derrotar Vecna. Já no discurso da Eleven para o Hopper… ele foi um grande pai para ela, mas também muito superprotetor, porque perdeu uma filha no passado e tem muito medo disso. Como resultado, ele não permite que ela tome as próprias decisões nem que realmente cresça e se torne adulta”, disse Ross. “Grande parte do final fala sobre amadurecer. É o encerramento de uma longa história de amadurecimento, e parte disso é deixar os pais e fazer suas próprias escolhas. Esse é o momento em que a Eleven chega a esse ponto, e o Hopper percebe que precisa deixá-la ir”, acrescentou Matt. Eleven (Brown) e Hopper (Harbour) na 5ª e última temporada de “Stranger Things”. (Foto: Divulgação/Netflix) Sobre o final ambíguo, Matt declarou: “O que queríamos era confrontar a realidade da situação dela depois de tudo isso e questionar como ela poderia levar uma vida normal. Essas são questões que levantamos ao longo da temporada e que o Hopper sequer quer pensar ou discutir. O Mike, obviamente, já pensou bastante nisso, mas é uma versão meio fantasiosa que nunca funcionaria de verdade. Existem dois caminhos possíveis para a Eleven: um mais sombrio e pessimista, e outro otimista e esperançoso. O Mike é o otimista do grupo e escolhe acreditar nessa história”. “Nunca existiu uma versão da história em que a Eleven estivesse com o grupo no final. Para nós e para os roteiristas, não queríamos tirar os poderes dela. Ela representa a magia em muitos sentidos, e a magia da infância. Para que os personagens seguissem em frente e para que a história de Hawkins e do Mundo Invertido chegasse ao fim, a Eleven precisava partir. Achamos que seria bonito se os personagens continuassem acreditando nesse final mais feliz, mesmo sem darmos uma resposta clara sobre se isso realmente aconteceu ou não. O simples fato de eles acreditarem nisso nos pareceu uma forma muito melhor de encerrar a história e de representar o fechamento dessa jornada — e da passagem deles da infância para a vida adulta”, pontuou Ross. Continua depois da Publicidade Matt também destacou o que poderia acontecer se Eleven estivesse em contato com o grupo. “E a realidade é que, se a Eleven estiver por aí, o máximo que eles podem ter é a crença de que isso é verdade, porque eles não podem manter contato com ela. Tudo desmorona se não for assim. Então, dentro dessa narrativa, essa é realmente a melhor maneira de mantê-la viva. E também é sobre o Mike e todos os outros encontrarem uma forma de seguir em frente depois de tudo o que aconteceu”, analisou ele.

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Fonte: hugogloss.uol.com.br