O divórcio custa caro – e não apenas para os ex-cônjuges. Um estudo desenvolvido por Harry Benson e Spencer James, da Marriage Foundation, constatou que o custo estatal da desintegração familiar no Reino Unido é de 48 milhões de libras anuais (o equivalente a mais de 220 milhões reais), o que corresponde a 1,8 mil libras (8,3 mil reais) por contribuinte. Mas por que todo esse dinheiro?

No estudo, intitulado “O efeito a longo prazo do casamento na mobilidade social”, os autores apontam que famílias monoparentais geralmente precisam do auxílio do Estado para conseguir uma habitação e para os gastos com os filhos. Além disso, o Estado gasta mais subsidiando programas de reabilitação para pessoas que, devido à ruptura familiar, desenvolveram problemas de comportamento, que muitas vezes chegam à perpetração de delitos.

Somem-se a isso os gastos policiais e penitenciários e os custos de merendas escolares para crianças de baixa renda e de bolsas para estudos superiores, e fica fácil chegar à impressionante cifra destacada pelo estudo.

“Que haja alguma taxa de divórcios, de casamentos que não funcionam, é inevitável. O maior problema, porém, é o colapso das famílias baseadas em pais não casados. Em toda a Europa e no mundo desenvolvido, a tendência contrária ao casamento levou a um aumento das rupturas familiares”, comenta Benson ao Aceprensa. Hoje a questão central é que muitíssimos casais não veem necessidade de firmar um compromisso formal e o resultado é uma maior instabilidade, que não tem razão de ser inevitável”.

Ricos desprezam casamento, mas se casam; pobres pagam o pato

“Todo mundo sai perdendo quando as famílias se despedaçam, porque não é algo que os casais querem, não é bom para seus filhos e a sociedade e o contribuinte pagam a conta ao apoiar essas famílias monoparentais adicionais com a ajuda de que precisam. Além disso, aumentam os níveis de pobreza e de problemas de saúde mental entre os jovens”, diz Benson.

“Na Europa, quase todos os ricos se casam antes de ter filhos, mas à medida que descemos na escala de renda, cai a taxa de casamentos. A terrível hipocrisia é que os ricos dizem para todo mundo que o casamento não é mais tão importante, mas quase todos eles se casam. E a tragédia é que os pobres os estão escutando”, lamenta o pesquisador.

O Reino Unido é, entre todos os países desenvolvidos, o que apresenta os maiores níveis de instabilidade familiar. Quando chegam aos 12 anos de idade, 32% das crianças nascidas de pais casados e 62% das nascidas de pais que apenas moravam juntos já experimentaram pelo menos uma troca de parceiro de um dos seus progenitores.

Acesse a íntegra do estudo.