A estimativa de especialistas de que o míssil balístico intercontinental que a Coreia do Norte testou nesta quarta-feira (29) tenha o alcance de até 13 mil km, torna a América do Sul como a única região do mundo que hoje está inteiramente livre da ameaça de um eventual bombardeio do Kim Jong-un. Além do Brasil e outros vizinhos sul-americanos, apenas alguns países da América Central e do leste da África, além de ilhas britânicas no Atlântico sul, estão fora do alcance do míssil, considerando um raio de 13 mil km a partir de Pyongyang, a capital norte-coreana. Essa “zona de risco” foi confirmada, pois cientistas estimaram o alcance de 13 mil km para o Hwasong-15, nome que o míssil foi batizado.

A maior ameaça, são os Estados Unidos, principal antagonista da Coreia do Norte e que agora também vê todo o seu território continental –incluindo a capital Washington– como um alvo possível do regime. Até então, as maiores ameaças giravam em torno do Havaí e de Guam, ilhas norte-americanas no Pacífico, e, no máximo, da costa oeste do país.
Segundo a Coreia do Norte, ele atingiu a altitude de 4.475 km e percorreu 950 km desde seu local de lançamento, perto de Pyongyang, voando durante 53 minutos antes de cair no mar do Japão – um alcance significante maior do que os outros mísseis testados até então pelos norte-coreanos. A informação oficial é coerente com os dados estimados pelo Pentágono e por especialistas ocidentais, incluindo David Wright. Wright explica que o alcance de um míssil depende, em parte, de sua capacidade de carregamento de carga. Se essa carga for uma ogiva nuclear, pesada, o alcance de um míssil também fica comprometido. Isso significa que, caso o Hwasong-15 tenha sido testado com uma imitação de ogiva, mais leve, a capacidade de distância dele seria reduzida no momento em que ele levasse ogivas nucleares. Não há detalhes conhecidos sobre a carga explosiva do míssil testado. Segundo o físico, o regime Kim está seguindo um padrão de desenvolvimento semelhante aos de Estados Unidos e Rússia quando as duas potências iniciaram seus testes, há cerca de 60 anos. “O resultado é impressionante, mas ainda é uma tecnologia que está relativamente no início”, analisa Wright. “Isso não significa, obviamente, que ela não seja efetiva como ameaça aos EUA, se carregar uma ogiva nuclear. Mas é importante levar em conta qual é a tecnologia atual”, ressalta.

Fonte: UOL